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É possível ensinar inovação?

Por Chris Evans em 31 de Julho de 2018

inovação-eagles-flightThomas Edison. Benjamin Franklin. Leonardo da Vinci. Steve Jobs.
Esses nomes de pessoas excepcionais encabeçam a lista das pessoas mais inovadoras e talentosas de todos os tempos. Eles inspiraram milhões e entregaram produtos revolucionários para a humanidade. Eles são constantemente mencionados como "deuses" da inovação caminhando entre meros mortais.

Mas será que as pessoas mais inovadoras são mesmo tão diferentes das pessoas "comuns"? Essa pergunta pode gerar desconfiança e machucar o ego de algumas pessoas. A pergunta mais importante é: será que podemos aprender a pensar como esses grandes inventores?

É possível ensinar alguém a inovar?

As empresas que querem crescer e se destacar em um mercado cada vez mais desafiador estão se esforçando para responder essa pergunta. Vamos explorar: 

Pessoas inovadoras já nascem inovando?

Jeffrey H. Dyer, Hal Gregersen e Clayton M. Christensen, autores de DNA do Inovador – artigo publicado na Harvard Business Review –, descrevem um estudo muito interessante que demonstra o tamanho da influência da genética na criatividade (uma dica: não faz tanta diferença!). Os pesquisadores avaliaram o desempenho de gêmeos idênticos em testes de habilidades de pensamento criativo. Os resultados foram impressionantes: Os pesquisadores concluíram que somente 25% a 40% do desempenho criativo pode ser atribuído à genética. Por outro lado, os pesquisadores descobriram que a genética teria maior influência na inteligência em geral – por volta de 80% das diferenças de inteligência podem ser atribuídas à genética.

Então sim, é possível ensinar e cultivar a criatividade – e, por consequência, a inovação. Essa é uma notícia excelente para as empresas que querem estimular o poder da inovação de seus colaboradores. Isso significa que as empresas não precisam "trabalhar com o que têm na mão" em relação aos talentos dos colaboradores. É possível transformar o ambiente profissional em uma usina de criatividade. 

Você pode se interessar também por: Segredos de treinamento e desenvolvimento  para mudar comportamentos e gerar rescimento organizacional

A faísca da inovação: Pensamento criativo

As descobertas dos pesquisadores, entretanto, suscitam a questão: "O que é, afinal, a criatividade e qual é a diferença entre criatividade e inteligência?" Resultados como esses descritos acima podem parecer confusos, já que costumamos pensar em inteligência natural e criatividade como fatores que caminham lado a lado – daí vêm termos consagrados como "gênio criativo".

A criatividade é menos relacionada ao nível de QI e mais ao desejo de questionar e explorar. Existem muitos acadêmicos com QIs altíssimos e sem qualquer desejo de assumir riscos – e isso pode os impedir de criar inovações revolucionárias. A criatividade demanda certo nível de coragem e um desejo de sair da zona de conforto para olhar os problemas por diferentes perspectivas. É uma questão de não ter medo de encarar concepções tradicionais. Aqui vai um exemplo muito famoso: Alexander Graham Bell, a quem foi dado o crédito pela invenção do telefone (apesar de algumas controvérsias sobre as datas de registros de patentes), tentou vender a patente de sua nova invenção para a Western Union por US$100.000,00. A Western Union recusou por não enxergar potencial – o presidente da Western Union chegou a se referir ao telefone como um "brinquedo"!

Por fim, o pensamento criativo é acionado quando as pessoas conectam conceitos que aparentemente não tinham qualquer ligação. Os autores de DNA do Inovador chamam isso de "pensamento associativo". O pensamento associativo é estimulado por diversos comportamentos e padrões mentais, os quais incluem questionar, observar e experimentar. A associação de conceitos e ideias ajuda os pensadores inovadores a descobrir novas possibilidades e criar avanços reais – e esse é o primeiro passo do processo de inovação.

Por que a Cultura é importante?

Se qualquer pessoa é capaz de aprender a ter mais criatividade e inovar, deveria ser mais comum ver avanços e inovações acontecendo em todas as áreas da sociedade, seja nos negócios, na cultura ou nas artes.

Mesmo assim, as estatísticas – ao menos no meio corporativo – não concordam com isso. De acordo com um estudo realizado em 2008 pela National Science Foundation, o número de empresas nos EUA que podem ser consideradas inovadoras em produtos e serviços não chega a 10%, se levarmos em conta a quantidade de produtos novos ou que apresentem melhorias reais lançados no período de um ano.

Por que será que não vemos um índice maior de inovação por aí? Parte disso tem a ver com a cultura. Algumas culturas são mais eficientes como incubadoras de inovação. Pensando de forma mais ampla, a cultura da sociedade na qual você nasce e cresce pode afetar sua capacidade de inovação. Alguns estudos demonstram que culturas individualistas – que valorizam conquistas pessoais e enfatizam as liberdades individuais – têm um histórico mais positivo de inovação em comparação com culturas voltadas para a coletividade, que valorizam as necessidades do grupo e priorizam a harmonia entre grupos. Pesquisadores da área de Economia da Universidade da Califórnia chegaram a afirmar que teriam descoberto evidências empíricas de que países com uma cultura mais individualista geraram mais inovações e foram beneficiados por um crescimento superior em relação a culturas mais comunitárias.

Você encontrará um fenômeno semelhante no ambiente corporativo. Muitas empresas dizem incentivar a inovação enquanto estão – inconscientemente – impedindo que ela aconteça em todos os níveis. As falhas mais comuns incluem recompensar somente os resultados e focar no sucesso no curto prazo, em vez de enxergar a empresa de forma mais ampla. Essa abordagem estimula as equipes a implantar apenas melhorias de menor escala, em vez de realmente transformar métodos, produtos e serviços. Em última análise, entretanto, uma empresa com uma cultura de inovação deixa algum espaço para riscos. Como Edward Goldman, diretor de tecnologia da Intel Information Technology, escreveu em seu artigo na revista Wired, “se queremos conquistar uma cultura de inovação, devemos saber que as falhas são uma realidade”. O grande diferencial de uma empresa inovadora, em comparação com as demais, é que ela encoraja as pessoas a assumir riscos que podem levar a falhas – de preferência, falhas logo no início – e aprender com essa experiência, em vez de procurar alguém para colocar a culpa.
Assim, podemos fazer uma correção na resposta sobre a possibilidade de ensinar inovação. Sob as condições ideais (dentro de uma cultura que valoriza e estimula um pensamento criativo e recompensa a inovação), é possível ensinar inovação. 

Como usar a Aprendizagem Experiencial para ensinar inovação

Quando você estabelece uma cultura de inovação, é possível ensinar as habilidades que alimentam a inovação em cada indivíduo. O treinamento para desenvolver habilidades de inovação envolve exercícios de ideação e estratégias para transformar ideias em ações. Afinal, "inovação" e "ideação" não são sinônimos. A inovação gera resultados reais!

Aquilo que você ensina é tão importante quanto a forma como você ensina. É aqui que a aprendizagem experiencial entra em cena. O ponto central da aprendizagem experiencial é "aprender na prática". Os participantes se envolvem ativamente em cenários de treinamento que espelham situações de trabalho da vida real. A aprendizagem experiencial é fundamental para ensinarmos novas habilidades devido à capacidade dessa abordagem de fazer as pessoas reterem o conhecimento por muito mais tempo, em vez de "entrar por um ouvido e sair pelo outro" – o que geralmente acontece em treinamentos convencionais para ensinar novas habilidades. É muito difícil mudar corações e mentes usando uma apresentação PowerPoint! 

A prática leva à perfeição! A aprendizagem experiencial é a plataforma perfeita para a prática de novas habilidades de inovação. Os participantes conseguem praticar as habilidades imediatamente. Por isso, a aprendizagem experiencial combina tanto com o ensino de inovação. É importante lembrar que a inovação tem mais a ver com a criatividade do que com a inteligência. Criatividade é uma ação que você pratica, e não apenas algo que você sabe.

Como já foi dito por Tina Seelig, diretora do Stanford Technology Ventures Program e autora de Ingenium: Um Curso Rápido e Eficaz Sobre Criatividade: "Não existe um caminho direto para chegar até as ideias criativas, assim como não existe um caminho direto para chegar de San Francisco até São Paulo. Entretanto, alguns caminhos sempre serão mais fáceis que outros. Nós podemos simplificar os caminhos até a inovação ao ensinar ferramentas e técnicas específicas. O ponto central é a habilidade de olhar para os problemas a partir de diferentes ângulos, conectar e combinar conceitos e desafiar crenças previamente estabelecidas. Essas são as habilidades que devemos praticar até dominá-las totalmente” (negrito acrescentado por mim). Pode haver mais de um caminho para ensinar inovação, mas a aprendizagem experiencial levará você em alta velocidade.

Como combater a curva do esquecimento usando o reforço das lições de inovação

O reforço é fundamental para garantir que as lições sobre inovação serão duradouras. Uma cultura de inovação reforçará diretamente as novas habilidades de inovação, mas às vezes nem isso é o suficiente. Quando falamos sobre o desenvolvimento de novas habilidades no ambiente de trabalho, muitas vezes se trata de uma árdua batalha. Graças a um fenômeno conhecido como “curva do esquecimento”, os profissionais tendem a esquecer até 70% do que aprenderam depois de uma semana.

Para evitar o desperdício de tempo e dinheiro e garantir que as habilidades relacionadas à inovação serão sustentadas na empresa, é fundamental usar estratégias de retenção como suporte ao treinamento por meio da aprendizagem experiencial. Avalie ferramentas digitais, como sites nos quais os participantes podem revisar os conceitos e os colocar em prática. Assim, o interesse no tema durará mais tempo. Você pode explorar estratégias de gamificação (ex.: formas de motivação por meio de prêmios, medalhas ou recompensas) para estimular os participantes a usar de verdade suas novas habilidades de inovação no ambiente profissional.

Por fim, o fator mais importante: o time de liderança de sua empresa e os gestores da linha de frente devem mergulhar de cabeça na missão da inovação, tanto por meio de suas atitudes no dia a dia como por meio de uma comunicação clara e frequente a respeito da importância dessa missão. 
O envolvimento da liderança demonstra que a inovação é muito importante para a empresa (e não só um projeto de um departamento específico para chamar atenção), e esse compromisso pode estimular os colaboradores a colocar em prática suas próprias habilidades de inovação. Lembre-se de que maioria dos profissionais recebe feedback informal e define suas prioridades a partir de seu gestor direto. 

Então... Será que é possível ensinar inovação? A resposta curta é "sim". A resposta completa é um pouco mais complicada: quando uma empresa cultiva uma cultura de inovação, usa técnicas de aprendizagem que focam a aplicação do aprendizado na prática e reforçam o conteúdo... aí sim, é possível ensinar inovação. Esse não é um caminho fácil, mas o histórico de alta performance de muitas das empresas mais bem-sucedidas do mundo e os principais inovadores de todos os tempos comprova que vale muito a pena! 

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