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Conheça a ponte entre a Economia Comportamental e a Transformação da Cultura

Por Dave Root em 27 de Março de 2018

Quer saber quais são as mudanças necessárias para realizar uma transformação da cultura em sua empresa?

É hora de revisitar aquelas aulas de economia. A economia comportamental tem muitas aplicações práticas para a criação de uma transformação. Os pesquisadores que trabalham com economia comportamental se inspiram na psicologia humana para entender o processo de tomada de decisões. Esse ponto de vista pode ser muito útil para você entender por que certas mudanças culturais levam a grandes transformações. Conheça três importantes conclusões sobre a transformação da cultura baseadas nas principais áreas de estudo da economia comportamental: 

1. Repense sua cultura de evitar riscos para obter grandes recompensas

O conceito: Teoria da perspectiva 

O conceito de economia comportamental chamado de teoria da perspectiva nos ajuda a entender como as pessoas tomam decisões sobre os resultados prováveis. De acordo com essa teoria, as pessoas não tomam decisões com base nos resultados, mas sim em perdas ou ganhos percebidos. A teoria é muitas vezes mencionada como "teoria de aversão à perda", considerando que temos a tendência a escolher um curso de ações se ele for descrito como fonte de possíveis ganhos em vez de uma fonte de possíveis perdas, mesmo que o resultado final seja o mesmo. 

Um exemplo que explica com clareza a teoria da perspectiva é: as pessoas preferem ganhar R$25 em vez de ganhar R$50 e ter de devolver R$25 – mesmo que o resultado líquido seja o mesmo. Isso acontece porque as pessoas têm uma resposta mais emocional (e negativa) às perdas percebidas.

Faça download do guia: Liderança na Transformação da Cultura

Como isso se aplica à Transformação da Cultura

Qual é a lição da teoria da perspectiva? A forma como nós apresentamos os fatos é importante. Se você pretende realizar uma transformação que levará à inovação em sua empresa, você deve dar às pessoas um espaço seguro para falhas. Grandes inovações não acontecem sem uma boa dose de raciocínio criativo e um desejo de assumir riscos e experimentar uma nova abordagem de solução de problemas. O único problema com esse método é que às vezes assumir riscos no trabalho não trará os resultados que você gostaria de obter. Às vezes, os riscos levam a falhas.

Entretanto, você jamais colherá os benefícios da inovação se não permitir que os colaboradores assumam riscos. E os seus colaboradores jamais assumirão riscos se estiverem mais preocupados com as consequências das possíveis falhas do que com os benefícios dos ganhos. Para estimular a adoção de riscos inovadores no trabalho, você deve ressignificar as consequências negativas do risco. Em vez de considerar os resultados desagradáveis de assumir um risco como um fracasso, pense neles como oportunidades de aprendizado. Estimule os colaboradores a examinarem os resultados pensando em como podem melhorar seus métodos de trabalho no futuro.

Você pode aplicar essa lição de como apresentar os fatores da teoria da perspectiva na forma como os colaboradores tratam uns aos outros individualmente. A inovação começa com a troca e o aprimoramento de ideias, mas, em algumas empresas, os colaboradores acabam evitando o compartilhamento de ideias por medo de serem confrontados ou ridicularizados. É comum ver isso em reuniões com equipes disfuncionais. Para cultivar uma cultura de inovação, você deve garantir que seus colaboradores se sentem seguros – que as ideias deles serão ouvidas com atenção e/ou questionadas com respeito. Resumindo: você deve ressignificar a forma como as pessoas compartilham ideias para que isso não pareça mais com algo arriscado. 

2. Uma comunicação poderosa leva a decisões mais inteligentes 

O conceito: Racionalidade limitada

A partir da teoria da racionalidade limitada, sabemos que não existem decisões puramente racionais. As decisões devem ser tomadas com base nas informações disponíveis, mesmo que essas informações estejam incompletas ou tenham sido mal compreendidas.

Como isso se aplica à Transformação da Cultura

A lição da racionalidade limitada é bem simples: para dar autonomia para que os colaboradores em toda a empresa tomem boas decisões, você deve dar boas informações a eles. 

Observe como as informações circulam em sua empresa. A liderança da empresa se comunica com os colaboradores com frequência? Fator ainda mais importante: seus colaboradores confiam nas informações que partem da liderança? Aqui podemos ver a importância da transparência na liderança entrar em ação. Para tomar boas decisões, os colaboradores devem perceber que podem confiar nas informações e nas mensagens que partem da liderança da empresa – caso contrário, eles vão desconsiderar essas informações e tomar as decisões sem considerar os impactos mais amplos nos negócios. 

A racionalidade limitada é também um importante lembrete de que é necessário ter eficácia e transparência na liderança em todos os níveis. Da média gestão aos gerentes de linha de frente, esses líderes devem se comunicar com clareza e dar feedbacks úteis e práticos aos colaboradores. Assim, os colaboradores poderão tomar boas decisões sobre seu próprio comportamento. 

Se você acha que seus colaboradores estão tomando decisões irracionais ultimamente, dê um passo para trás antes de os confrontar. As decisões desses profissionais podem estar perfeitamente alinhadas com as informações que foram passadas para eles – e é aí que mora o problema. Talvez seja hora de uma transformação que dê destaque à comunicação honesta e eficaz. 

3. Estabeleça intencionalmente as normas sociais – e dê apoio a elas com suas ações 

O conceito: As quatro dimensões sociais

Outro conceito apresentado pela economia comportamental é o das quatro dimensões sociais que influenciam o comportamento e as tomadas de decisões. Uma dessas dimensões sociais envolve as normas sociais, as quais são conjuntos de convicções que determinam certos comportamentos em grupos. As normas sociais podem ser explícitas (como as regras presentes em um manual da empresa, por exemplo) ou implícitas (como as convicções latentes que influenciam os papéis de gêneros), mas ambas servem como indicadores e gatilhos poderosos do que é aceitável – e do que não é aceitável – em um grupo. 

Como isso se aplica à Transformação da Cultura 

O poder das normas sociais é um bom lembrete de que você deve demonstrar atenção e proatividade sobre quais normas deve introduzir em sua empresa durante a transformação. Caso você não tome essa atitude, é possível que algumas normas indesejadas se desenvolvam – como a convicção de que assumir riscos é perigoso, por exemplo. É importante lembrar que cada empresa conta com um conjunto de normas culturais que geram comportamentos, independentemente de terem sido cultivadas intencionalmente ou não.

Já que as normas sociais podem ser implícitas e explícitas, sua liderança não pode simplesmente encarar a transformação com uma postura de "faça o que eu digo, não faça o que eu faço". A liderança de uma empresa deve também aderir às normas estabelecidas, pois os colaboradores sempre verão seu comportamento como uma dica de como deve ser o comportamento. Os líderes devem servir como modelos do comportamento que desejam ver em seus colaboradores, para alinhar normas implícitas e explícitas. Isso impedirá qualquer confusão quanto aos comportamentos que são tolerados ou encorajados em sua empresa.

Você já tem familiaridade com as teorias de economia comportamental? Se já tiver, você consegue pensar em quais foram as lições dessa área de estudos que você pode aplicar em uma transformação da cultura?

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